Como essas são coisas que acontecem sempre, e muito, na sua vida, ela é uma mulher feliz. Aos 61 anos, já passou da fase de se preocupar com o que os outros pensam, atitude essencial para quem cuida de bichos ....
— Hoje já se sabe que não adianta recolher os animais a abrigos — diz Lilian, que adotou o protocolo da Feral Cat Coalition de San Diego, na Califórnia, instituição que tem tido sucesso notável no trato de animais abandonados. — Gatos vivem em colônias, e se uma colônia é removida, aquele espaço logo é preenchido por outros gatos. A primeira reação das pessoas que não sabem do que estão falando, diante de uma colônia de gatos, é que é preciso levá-los embora. Mas levar para onde? Não há lugar para onde se possa levá-los aqui no Rio. A Suipa está superlotada, e o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) é um campo de extermínio. “Leva para um sítio”: outra péssima ideia, porque nas áreas rurais do estado existe uma quantidade de felinos selvagens que podem ser contaminados por alguma doença trazida pelos gatos da cidade. A melhor forma de se lidar com os animais abandonados é controlando a população das colônias, dando alimentação, garantindo que todos sejam castrados e tratados se ficam doentes. Idealmente, é um trabalho feito em conjunto com os protetores locais e com o governo, que deve criar unidades móveis de castração e fazer campanhas educativas junto à população para prevenir o seu abandono. Aqui no Rio, porém, o governo é inteiramente omisso. A Secretaria de Proteção e Defesa dos Animais (Sepda) foi criada com boa intenção, mas virou um cabide de empregos onde sequer é necessário gostar de bicho para assumir um cargo.

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